2018…

Definitivamente, 2018 não foi um ano fácil. Mas também não foi um ano ruim.

Comecei o ano participando do processo seletivo para uma vaga “full time” no meu time, para a minha alegria, fui efetivada! Terminaria o mês de janeiro com uma notícia ainda melhor: ter sido indicada e aceita como membro do International FD (Fibrous Dysplasia) Consortium e receber esta notícia pelo Dr. Mike Collins.

Porém, apenas uma semana depois, recebi um telefonema da minha ginecologista para me dizer que havia recebido o resultado da minha biópsia, que apontava um carcinoma “in situ“. Algo simples de resolver, mas que eu deveria procurar um gineco oncologista.

Sou paciente crônica desde criança, posso não gostar de uma notícia que um médico me dá, mas não sofro por causa disso, prefiro gastar esta energia buscando uma alternativo ou, se possível, uma solução. Então, não fiquei mal frente a possibilidade de encarar um câncer, mas minha cabeça entrou em parafuso e tentei pensar em tudo ao mesmo tempo. O que mais martelava era: “estou na nova função há apenas 8 dias!!! Acabei de ser efetivada!!”. Cheguei a falar para a minha terapeuta: “isso não poderia acontecer daqui a 6 meses? Tinha que ser bem agora?”. Como se a gente pudesse escolher a hora de se ter um câncer… é a velha mania de querer controlar tudo rsrsrs

Bom, a partir daí, minha vida parou para eu me dedicar ao tratamento oncológico, é óbvio que não larguei a fisioterapia uma semaninha sequer!! Os oncologistas não entendiam isso… mas quem tem MAS, entende 🙂

Fui parar no A. C. Camargo que, além de ser referência no Brasil, está entre os 3 melhores Cancer Centers do mundo. Dei muita sorte de ser atendida pelo dr. Glauco Baiocchi, diretor do setor de ginecologia oncológica do hospital. Foi tudo muito rápido.

Consultas, exames, novas biópsias, confirmação de algo pior – um adenocarcinoma endocervical do tipo gástrico no fórnice posterior da vagina, cirugia, mais biópsias, reconfirmação do diagnóstico anterior, quimioterapia, radioterapia, mais exames, muito mais exames, surgimento de um nódulo no pulmão, biópsia do pulmão, apartamento alugado vendido, biópsia do pulmão, mudança de apartamento (às pressas) e de bairro, biópsia do colo do útero, confirmação de nova lesão, morte da minha gata, nova cirurgia, nem lembro onde ficou o meu trabalho, mas lembro que ainda era na Johnson, exames preparatórios para a cirurgia, retorno a hidroterapia – por apenas 2 semanas,  corpo bem louco e totalmente desarranjado, consulta com a endocrinologista, consulta com o ortopedista oncologista – que é quem entende da MAS e FD, histerectomia radical + ooforectomia + retirada das trompas, reabilitação por conta própria com o meu fisioterapeuta – que é da ortopedia, briga com o intestino – que vem dando trabalho desde a época da radioterapia, ganhei um novo cachorro – o nome dele é Jack e ele é um dashschund, continuei firme e forte na reabilitação de cirurgia ginecológica com um fisio orto que faz osteopatia (Santa Osteopatia!!), consegui cumprir o repouso exigido, foi muito difícil, comecei a plantar várias suculentas e viciei, arrumei o apartamento inteiro (mentira! foi minha mãe, mas era eu quem falava o que fazer rs), voltei a trabalhar – UHUUUU e UFAAAA, não aguentava mais ficar em casa, descobri que não estava ainda novinha em folha, toda semana descubro que ainda não estou, ainda em recuperação da cirurgia achei que seria legal ir para o Chile, meu cachorro morreu, na verdade ele teve que ser sacrificado, eu o levei para a eutanásia porque minha mãe não tinha estrutura pra isso, fui para o Chile, andei muito na viagem e morri de dor nos pés + lombar + costas, machuquei os dedos operados do pé esquerdo, cancelei os passeios do último dia, meu intestino resolveu me lembrar que estava em pós-operatório e deu as caras no último dia de viagem, corri para o banheiro no aeroporto de Santiago, corri para o banheiro no aeroporto de Guarulhos, mas o importante é que consegui viajar bem e nada aconteceu no avião, surtei no freeshop de Guarulhos e achei que eu merecia tudo o que estava ali, cheguei à conclusão de que deixei meu útero no freeshop e não no A. C. Camargo, mais fisioterapia, volta ao trabalho após o feriado, frio em São Paulo, início das dores crônicas, gases, dores abdominais e na região operada, contratura do glúteo médio + glúteo mínimo + glúteo máximo + periforme + trato íleotibial + quadríceps, minha mãe foi diagnosticada com herpes zoster, início de medicação nova para dor crônica, adaptação da nova medicação, controle das medicações da minha mãe + curativos das feridas na pele, trânsito monstro para ir ao trabalho porque parte da Marginal Pinheiros está interditada sem previsão de liberação, dor no corpo por causa do tempo no trânsito, mais adapatações à nova rotina de vida e trabalho, exames de controle da cirurgia, ajuste da palmilha pra ver se sofro menos com o desvio que tenho nos quadris, mais exames… e ainda faltam 2 semanas para acabar o ano!

Na próxima semana, farei mais alguns exames e terei retorno com o dr. Glauco para saber quais serão os próximos passos do meu tratasmento. Enquanto isso, continuo com minhas sessões de fisioterapia e de terapia (não largo minha psiquiatra por nada!!), continuo me adaptando à rotina de trabalho. Vivo um dia por vez e festejo muito cada vez que volto ao escritório no dia seguinte. A vida não para, embora muita coisa tenha ficado no “parking lot“. O grupo da síndrome foi uma destas coisas. Não consegui acompanhar… não consegui liderar. Mas não esqueci de vocês.

Enquanto estava no Chile, consegui me encontrar e almoçar com o Dr. Pablo Florenzano, endocrinologista que conheci no NHI, nos EUA. Juntos, temos como meta construir uma comunidade, na América do Sul, que suporte pacientes com MAS e FD. Ele me deu a notícia de que está articulando um evento para o meio do ano que vem e que será no Brasil, com a presença do Dr. Mike Collins e da Dra. Alysson Boyce. Naquele momento, vi que meu ano valeu à pena e não foi em vão.

Preciso terminar este ano focando no tratamento, meu corpo ainda está se redescobrindo. Tirar os ovários, que são glândulas, de uma paciente que passou por quimio e rádio e que ainda tem uma síndrome que causa disfunção hormonal, só colabora pra que tudo fique bem louco aqui dentro, as células estão todas batendo cabeça, no melhor estilo hardcore. É uma mistura de Black Sabbath com Irom Maiden, mas a gente sobrevive!!

Logo menos será 2019, um novo ano repleto de novas oportunidades e muita luz. Faremos o nosso momento juntos!

Um abraço a todos,

Alê Saldanha

 

 

 

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